Bursite de quadril: diagnóstico funcional e reabilitação
A bursite de quadril fisioterapia costuma tratar hoje é mais frequentemente descrita como parte da síndrome da dor trocantérica maior, um quadro que envolve não só a bursa, mas também tendões glúteos adjacentes, e essa mudança de entendimento influencia diretamente a conduta terapêutica.
Quadro clínico típico
A dor lateral no quadril, que pode irradiar para a coxa, costuma piorar ao deitar sobre o lado afetado, subir escadas, ficar muito tempo em pé ou cruzar as pernas. É comum em mulheres de meia-idade e associada a padrões de marcha com queda pélvica contralateral.
Avaliação funcional
- Palpação da região do grande trocânter, geralmente bastante sensível
- Teste de resistência à abdução do quadril em decúbito lateral
- Teste de Trendelenburg, que avalia estabilidade pélvica durante o apoio unipodal
- Observação da marcha e padrão de carga na fase de apoio
Conduta terapêutica
O fortalecimento progressivo dos músculos abdutores do quadril, especialmente glúteo médio, é o eixo central do tratamento, junto com orientação para reduzir posições que comprimem a região lateral do quadril, como cruzar as pernas ou dormir de lado sem apoio adequado. Exercícios isométricos costumam ser um bom ponto de partida em fases mais dolorosas, evoluindo depois para cargas dinâmicas.
Acompanhando a resposta
Escalas de dor combinadas a testes funcionais de apoio unipodal e tolerância a atividades específicas (subir escada, caminhar por tempo prolongado) ajudam a documentar a evolução de forma mais objetiva do que apenas o relato verbal do paciente entre uma consulta e outra.
Diagnóstico diferencial
Dor lateral no quadril também pode ter origem em osteoartrite de quadril propriamente dita, radiculopatia lombar alta, ou síndrome do piriforme, e cada uma pede uma direção diferente de tratamento. Dor predominantemente na virilha, em vez de lateral, costuma apontar mais para a articulação do quadril do que para a região trocantérica, e essa distinção deve ser buscada ativamente na anamnese e no exame físico.
Fatores de risco
Diferenças de comprimento de membros, fraqueza prévia de glúteo médio, aumento recente de volume de caminhada ou corrida, e padrões de marcha com queda pélvica contralateral mantida por tempo prolongado aumentam a sobrecarga sobre a região trocantérica. Histórico de cirurgia de quadril ou joelho no mesmo lado também é um fator a considerar, já que pode alterar o padrão de marcha de forma sutil e sustentada.
Identificar esses fatores na avaliação inicial ajuda a orientar não só o tratamento, mas também a prevenção de recidiva após a alta, especialmente em pacientes que pretendem retomar atividades como corrida ou caminhada de longa distância.
Na prática: antes de progredir a carga de fortalecimento de glúteo médio, confirme que a dor lateral não piora nas 24 horas seguintes ao exercício — isso evita irritar ainda mais uma bursa ou tendão já sensibilizado.
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